Qual o papel das Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) no futuro do setor elétrico?


Com o cenário de severa escassez de chuvas, enfrentado em diversas regiões do Brasil, o debate sobre as alternativas para a geração de energia ganhou destaque. Governo e empresas do setor perceberam que é preciso repensar as soluções a curto, médio e longo prazo. E mais, apostar no potencial e papéis exercidos pelas outras alternativas, além das Usinas Hidrelétricas de grande porte (UHEs). É o caso das Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) que representam hoje quase 4% da matriz elétrica brasileira, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica, mas, podem ganhar maior espaço nessa geração.


Apesar de também aproveitarem os recursos hídricos para gerar energia, as PCHs podem ser construídas em rios com menor vazão. Elas são usinas de pequeno porte e possuem capacidade instalada entre 5 MW e 30 MW. Por serem menores, são mais baratas de construir e promovem um impacto consideravelmente menor sobre o meio ambiente. São opções a se considerar para a descentralização da geração de eletricidade no país. Continue a leitura e entenda qual o papel das PCHs no futuro do setor elétrico.


Desafios para a competitividade de PCHs no Brasil


Antes de falarmos sobre como as PCHs podem contribuir mais para a geração da energia elétrica no Brasil, é preciso contextualizar. O desenvolvimento desses empreendimentos hoje esbarra em alguns desafios, entre eles, o licenciamento ambiental. A burocracia torna o processo longo e oneroso, com duração média de 7 a 11 anos. São exigidos estudos ambientais, análise de atendimento a requisitos legais, mais complexos do que aqueles que viabilizam empreendimentos solares e eólicos. Sabemos da importância de cada fase desse processo, porém, é preciso simplificá-los e padronizá-los. Assim, será possível tornar toda a operação mais ágil, beneficiando tanto os órgãos envolvidos, quanto os empreendedores. Em estados como Goiás, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, já são realizadas ações para a modernização dos sistemas de licenciamento ambiental. Mudança que agilizou o estabelecimento de novas PCHs nessas regiões e atraiu mais empreendedores.


Razões para o crescimento das PCHs na matriz energética


Mesmo com o desafio do licenciamento ambiental, existem diversos fatores que contribuem para o crescimento das PCHs na matriz de geração elétrica brasileira. Destacam-se os aspectos socioambientais. Sabemos que as Usinas Hidrelétricas de grande porte, com capacidade instalada de mais de 30 MW, possuem grandes reservatórios, que lhes possibilitam operar por algum tempo em período de estiagem. Porém, diante de longos meses de seca, como os que vivemos, os impactos são sentidos. Dessa forma, é preciso adotar novas estratégias, ainda no período de cheia, para poupar esses reservatórios. E é aí que as PCHs podem fazer a diferença.


Segundo a Associação Brasileira de PCHs e CGHs (ABRAPCH), durante a cheia, as PCHs podem atuar como uma alternativa para reduzir a necessidade de geração pelas grandes hidrelétricas. Com isso, quando entrar o período de estiagem, os reservatórios das UHEs estarão com seus níveis mais estáveis e os impactos podem ser menores. Essa complementação entre os dois tipos de hidrelétricas é muito importante para manter a geração contínua de energia. Vale reforçar ainda que as PCHs podem atuar na complementação das cargas ofertadas a pequenos centros urbanos e regiões rurais. As Pequenas Centrais Hidrelétricas apresentam um bom equilíbrio entre geração sustentável e impactos socioambientais. Não aproveitá-las dentro da matriz significa perder uma oportunidade para evoluir os processos de geração de energia.


Previsão de expansão para as PCHs no Brasil


De acordo com a ABRAPCH, a capacidade instalada de PCHs e usinas menores, as chamadas Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGHs), no país, é de 6.221 MW, distribuídos em 419 PCHs e 736 CGHs. As PCHs em operação, estão concentradas principalmente no Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste do Brasil. Até 2030, a potência instalada deve expandir 2.246 MW, de acordo com o Plano Decenal de Expansão da Energia 2030 (PDE 2030), da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Capacidade adicional que pode ser contratada tanto em leilões quanto no mercado livre, com origem de novos projetos ou ampliações e modernizações de usinas já existentes.

Importância do monitoramento e envio regular de dados aos órgãos oficiais


Vale lembrar que mesmo consideradas empreendimentos menores, as PCHs também devem seguir as medidas regulatórias estabelecidas por órgãos como a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), e pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). Destacamos aqui as normas estabelecidas pela ANA, que incluem o monitoramento de dados hidrometeorológicos da região onde as PCHs estão instaladas, e o envio dessas informações ao órgão.

A princípio, o acompanhamento desses dados pode ser considerado apenas uma obrigatoriedade, porém, é uma grande oportunidade para estabelecimento de mais inteligência operacional. Isso porque tais informações auxiliam na previsão de cenários e podem se tornar até mesmo diferenciais competitivos, gerando maior receita para as PCHs já em operação.


Para auxiliar na coleta, integração e gestão dessas informações, as PCHs podem contar com a plataforma IoT CONCERT Cloud. A solução automatiza o envio dos dados hidrometeorológicos à ANA. Além disso, possibilita o acompanhamento online e em tempo real, das variações de índices como nível dos reservatórios, precipitação e vazão. Para análises mais estratégicas, ainda disponibiliza a visualização de relatórios completos. Conheça a plataforma IoT CONCERT Cloud, converse agora mesmo com um dos consultores!



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